Ontem o dia terminou estranho,
como que guardando mentiras não ditas e que por não terem sido ditas, mentiras
não foram. Um segredo massacrado e oculto dentro e no meio, no meio de amigos,
cerveja e companhia maravilhosa.
Noite que acaba incrível, mente
que remói o horrível, ou na verdade simplesmente não pensa. Não se dá ao
trabalho de pensar, até porque estupefata está: de milhões ou nenhuma
informação; da duvida do oculto, e se este ocultado está de si própria ou dos
outros.
Em casa de volta depois de
momentos há muito tempo não vividos, que me transcendem e me levam de volta a
lugares que amo e a lugares que muito temo. A lugares que me alegram, mas que
me tiram do prumo e me tiram a condução das mãos. E dando de cara com a
realidade o peso assola, da decisão a ser tomada, da direção a ser seguida, do
tempo que se deve ou não deve, que pode ou não pode esperar.
E a vontade é súbita de
transcender, ultrapassar ou mesmo ignorar. Mas esse luxo é para poucos. Então
pego meu caderno de anotações, pois nele posso ser, fazer e viver sem
determinações. E a noite vai passando na companhia das palavras que são sempre
meu melhor refúgio. Fugindo da decisão, ou decidindo não decidir. Escondendo
ainda mais a mentira, para que talvez ela não seja mais quando eu resolva
contar ou assumi-la para mim.

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