domingo, 3 de novembro de 2013

Morro de alegria do raiar do dia até o sol se pôr.
E de repente me vejo
Meio que num lampejo, a morrer de amor.
E quando passa o tempo,
Ai vem meu lamento a me aprisionar.
Vejo, que tudo eh fantasia e o mero raiar do dia,
Não me alegra mais.
Percebo que o bem que almejo,
Que todo meu desejo,
Você não sabe dar.
Sei que não é brincadeira,
Que a vida eh faceira,
E que não sei andar.
E quando tropeço no seu passo,
Me escondo em teu abraço e busco o que não tem.
Eu quero, só um amor de verdade,
Com toda intensidade,
E disso sei muito bem.
E nesses meus enganos, amor eu vou plantando,
E colhendo o que vier...


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"Alice certos dias parecia impregnada de algumas manias estranhas, envolvida em alguns pensamentos súbitos e incontroláveis. Se se senta em segundos se levanta e se anda de um lado para o outro dentro do quarto ele começa a ficar pequeno, e se se lança na rua ela já lhe parece muito familiar. Olha de repente para a calçada do outro lado e eh ele que a atrai, mas chegando lá parece que não faz diferença alguma e precisa de uns passos a mais. Dizem sempre que Alice tem mania de atravessar ruas, se acompanhada olha para o outro lado e de impulso pega a pessoa pelo braço e diz: - Vamos! Mas para mim Alice tem é mania de atravessar a vida em mergulhos que a levam de uma extrema realidade ao sentido puro e esse pequeno mundo parece que não a comporta, ela precisa sempre de mais espaços e sempre de mais um passo. Com que propriedade digo isso? Acredito ter propriedade para dizê-lo, mas um achismo daqui ou dali. Julgue depois que conhece-la, mas talvez jamais consiga sê-la, não por muito tempo.

Então vamos lá, te explicarei do que falo. Uma noite sem querer encontrei Alice caminhando lá pela Afonso Pena, como faz vez por outra, a e como faço vez em sempre. Acompanhei seus passos que às vezes se tornavam acelerados como se para fugir de algo ou para expurgar algo de dentro de si, mas de repente se tornavam lentos como que por distração com o mundo que passava a sua volta. Num desses momentos de distração e num súbito esbarrão eu e Alice, ali naquela pista nos tornamos uma só. Não sei como explicar o que aconteceu naquele dia, mas foi como se conseguisse pensar seus pensamentos e olhar através de seus olhos. Alguns podem ter diversas explicações místicas e religiosas, ousaria até dizer que me parecia uma possessão, mas achei melhor descrever tudo com a palavra “Encontro”.
Alice me proporcionou uma oportunidade única. Caminhamos em silêncio por alguns minutos, lado a lado, naquela pista e de repente meus pensamentos pareciam insuportáveis, não cabiam mais dentro de mim, não conseguia dar fluidez e nem perceber seu fluxo. Tudo que para mim era tão comum e rotineiro naquelas mesmas pessoas com seus cachorros e naquele mesmo lugar, se tornou encantador. Consegui perceber cada detalhe, não sei até hoje como me dei conta de tantos detalhes, pois além deles pensava em infinitas coisas. Andava lentamente, percebendo tudo em volta, e pensando também em toda minha vida, vida dela que estava em mim, em todas as decisões a serem tomadas ou em não toma-las e se elas eram sãs ou insanas, e se era possível suportar minha insanidade dentro do meu mundo, ou se esse era o meu mundo.
E enquanto isso, cachorros grandes, pequenos, soltos, presos, levavam suas famílias para passear, às vezes a companhia era jovem, às vezes era velha e eles promoviam encontros, puxavam seus donos pela corrente em direção ao outro que também estava solitário. Percebi um grupo que parecia saído de um filme de ficção científica, ou de uma festa a fantasia mesmo uns de cabelos roxos, outros amarelos. Tinham os favelados e pobres, fazendo a algazarra, tinha os amigos tocando violão, mais ali na frente um grupinho parecendo usar crack, na outra virada uns playboys fumando maconha, no banco do lado direito mãe pai e olhando o filho de bicicleta, no próximo um casal namorando, no outro uma tribo de adolescentes penteando cabelo, cada um mais diferente do outro. Tinha a parte do parque, a parte do campo de futebol, a parte do cercadinho para cachorro, tinha as barraquinhas dos mais diversos tipos de comida, gente entrando e saindo do metrô e também tinha como uma estátua imóvel um policia, um só policial que olhava tudo. E não só via imaginava o que cada um falava e pensava. E a cabeça borbulhava, borbulhava e borbulhava. A sensação eh que não daria conta, ou explodiria ou sutaria com tudo isso.
Alice então ainda sem dizer nada me segurou pela mão e fez com que acelerasse os passos.  E quando fiz isso pude perceber meus sentidos mais aguçados, podia sentir o vento batendo na pele e apesar de manter os olhos abertos parecia que deixei de ver para fora via para dentro. Sentia os pés tocando no chão, o ar entrando nos pulmões, o ritmo das passadas e das batidas do coração. A mente esvaziava-se naquele momento e era um alivio. Não conseguia pensar, só conseguia sentir e parece que nessa tremenda fluidez me desfiz e me tornei, me tornei com o mundo uma só coisa. E quando não me continham mais e a sensação era de desintegração total onde minhas moléculas se misturariam com as do ar e eu seria somente fluxo de vida, Alice largou minha mão. Olhou-me com olhar de despedida e sem mesmo falar atravessou a rua e não me puxou pela mão. Deixou-me ali extasiada e de volta em mim. Não pude mais ser Alice, mas também nunca mais pude ser eu."

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Segredo


Ontem o dia terminou estranho, como que guardando mentiras não ditas e que por não terem sido ditas, mentiras não foram. Um segredo massacrado e oculto dentro e no meio, no meio de amigos, cerveja e companhia maravilhosa.

Noite que acaba incrível, mente que remói o horrível, ou na verdade simplesmente não pensa. Não se dá ao trabalho de pensar, até porque estupefata está: de milhões ou nenhuma informação; da duvida do oculto, e se este ocultado está de si própria ou dos outros.

Em casa de volta depois de momentos há muito tempo não vividos, que me transcendem e me levam de volta a lugares que amo e a lugares que muito temo. A lugares que me alegram, mas que me tiram do prumo e me tiram a condução das mãos. E dando de cara com a realidade o peso assola, da decisão a ser tomada, da direção a ser seguida, do tempo que se deve ou não deve, que pode ou não pode esperar.

E a vontade é súbita de transcender, ultrapassar ou mesmo ignorar. Mas esse luxo é para poucos. Então pego meu caderno de anotações, pois nele posso ser, fazer e viver sem determinações. E a noite vai passando na companhia das palavras que são sempre meu melhor refúgio. Fugindo da decisão, ou decidindo não decidir. Escondendo ainda mais a mentira, para que talvez ela não seja mais quando eu resolva contar ou assumi-la para mim.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

“ E de repente ela se viu lá muito mais que aqui.
E na confusão de pensamentos notou que já não era mais dona de si.
Havia mais uma vez sido arrebatada por aquilo.

Ah! Mas aquilo lhe causava tanto incômodo.
Cutucava e cutuca por todo o dia e por todo o ano.
E num desejo intrépido de lhe arrancar a perturbação constante,
Arrancou-lhe o coração do peito...

E deixou de Ser, naquele instante.”

Quero esbarrar aqui, ali, lá em algo que me faça bem.
Quero que me traga, que me faça,  que me seja...
Cheio de sorrisos intensos e imensos
Cheio de abraços verdadeiros e sinceros
Cheio de amizades velhas e novas .

Quero poder ter, ser e estar
Na minha imensidão e na minha frustração
Quero o meu sorriso de criança e meus gostos de idosa
Quero esse meu eterno “não se encaixar”
Na minha eterna ingenuidade e total desconfiança.














Sendo só um pouquinho para variar uma “BELÍSSIMA CONTRADIÇÃO”.