
Estranho acordar assim todos os dias, meio que embargada,
A vida vai passando assim, lentamente, arrastada.
Parece que as coisas me sugam, tiram minha força,
E cada amanhecer parece um caminho que me leva no fim do dia a forca.
E para que perder tempo se o fim é irremediável?
Se o tédio, a mesmice, o retorno ao inanimado é inevitável?
O impulso, a força e o desejo que me move,
Leva-me ao não desejo, ao estático, ao fim do impulso, à morte.
As palavras me fogem, os pensamentos se confundem....
O meu querer é o não querer disso tudo,
É o sair, o gritar, o romper com esse mundo,
Mas falta a coragem, a força, a loucura,
E me resigno na vontade de ser constância ou inconstância pura.

